Após indulto, QG da reeleição teme desgastes à campanha com 'libera geral' de Bolsonaro em confronto com STF

Por Redação em 28/04/2022 às 09:18:09

Daniel Silveira segura um quadro com decreto de indulto, ao lado do presidente Bolsonaro e do deputado Coronel Tadeu em 27 de abril.

Fontes ouvidas pelo blog temem que o presidente estenda benefício do indulto a outros aliados, por avaliarem que isso poderia afastar o eleitor de centro.


O QG da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) predominantemente formado por lideranças do Centrão, não foi consultado sobre o indulto do presidente ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), como o blog publicou – mas atuou no "pós": pediu ao presidente que não "libere geral" com medidas que possam, por exemplo, ampliar o embate com o Supremo Tribunal Federal, como anistiar de crimes aliados chamados de ideológicos como o blogueiro Allan dos Santos, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Zé Trovão, um dos líderes dos caminhoneiros – todos alvos de investigação na corte.

Ao blog, um dos principais estrategistas da campanha de Bolsonaro explicou a preocupação do QG da reeleição: o presidente, apesar de não ter consultado seus aliados políticos a respeito do indulto a Silveira, "ganhou o jogo com o Supremo, ao conceder o indulto", mas pedem cautela. Avaliam que Bolsonaro não pode "ficar arrogante" e achar que "pode tudo e liberar geral" em medidas como estender um benefício de anistia a aliados investigados, pois isso poderia ter impactos para a campanha com desgastes junto ao voto do eleitor de centro.

Por isso, argumenta esse aliado de Bolsonaro, o presidente precisa parar no indulto a Silveira e evitar ficar confortável o suficiente para seguir escalando em produções de crises com outros Poderes em prol de seus aliados, amigos e familiares – o que pode ser entendido pelo eleitor como "privilégio" e benefício aos "protegidos" do presidente da República, além de afastar o eleitor do centro que quer moderação e rechaça o estilo bélico do presidente na relação com outros poderes, gerando instabilidade democrática.

Bolsonaro está mais à vontade nas últimas semanas porque 1) tem comemorado as pesquisas que mostram que a distância para o ex-presidente Lula diminuiu 2) acha que a nota do ministro Barroso, do STF, ajudou a reforçar a divisão no STF, que não querem embates com as Forças Armadas, além de unir militares da reserva e da ativa.

Mas, o Centrão, que representa o conselho político de Bolsonaro na dinâmica de forças dentro da campanha à reeleição, reforça ao presidente o tempo todo que a eleição não está ganha e que é preciso ter cautela.

Um líder do Centrão gosta de lembrar, em conversas reservadas, um relato atribuído a um episódio da época do Império Romano para comparar a situação de Bolsonaro.

Quando um general ganhava uma batalha, ele era recebido em Roma para ser homenageado pela população. Ao receber os cumprimentos, sendo aclamado pelo povo, os generais eram acompanhados por dois escravos: o primeiro, para conduzir a biga (espécie de carruagem comum na época, puxada por dois cavalos). O segundo ficava ao ouvido do general que, aclamado por ter vencido a batalha, se sentia invencível. A função desse segundo escravo era lembrar ao general a cada vez que ele era aclamado que ele era mortal. Diz esse político do Centrão: "Nós somos esse segundo escravo, ficamos lembrando ao presidente o tempo todo que ganhar a batalha não é ganhar guerra e que, quando ele se sentir invencível, acima de todos, lembrar que ele é mortal".

Fonte: G1

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