Suspeito de envolvimento no ataque homofóbico a jovem no DF é preso 2 anos após crime

Por Redação em 14/01/2022 às 11:27:53

Felipe Milanez ficou internado por oito dias após ataque homofóbico

Felipe Augusto Milanez foi agredido com 17 facadas na saída de festa em Brazlândia, em 2019. Quatro menores de idade são suspeitos, outros dois autores foram indiciados; último foragido foi localizado nesta sexta-feira (14).


A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (14), um homem de 23 anos suspeito de envolvimento no ataque a um jovem agredido com 17 facadas, em Brazlândia, no Distrito Federal. O crime ocorreu em outubro de 2019. Os agressores respondem por tentativa de homicidio qualificado por racismo homotransfobico (entenda mais abaixo).

Segundo o inquérito, a vítima, Felipe Augusto Milanez, à época, com 23 anos, estava com um grupo de amigos, abraçado a um deles, quando foi cercada por dez pessoas na saída de uma festa.

"Durante todo o tempo em que me espancavam, eles gritavam que era menos um homossexual. Eu vou falar 'homossexual' para não ser tão baixo quanto as coisas que eles diziam", contou a vítima ao g1, em 2019.

O delegado-adjunto da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), Roney Teixeira Marcelo, que investiga o caso, afirmou que "as agressões foram motivadas única e exclusivamente pela orientação sexual da vítima".

Para a Polícia Civil, alem de Felipe ser LGBT, outros elementos foram analisados em conjunto para alcanc?ar apontar a motivação do crime, como "a ause?ncia de outro motivo relevante para o ataque, a desproporc?a?o das agresso?es – 17 facadas – e as ofensas baseadas na orientac?a?o sexual da vitima".

O inquerito foi encaminhado a? Justic?a do Distrito Federal, e os três detidos que são maiores de idade (veja detalhes abaixo) foram indiciados por tentativa de homicidio qualificado por racismo homotransfobico e por impossibilidade absoluta de defesa da vitima, alem do crime de corrupc?a?o de menores.


Marcas de facadas no corpo do jovem Felipe Milanez, vítima de ataque homofóbico no DF — Foto: Reprodução/TV Globo
Marcas de facadas no corpo do jovem Felipe Milanez, vítima de ataque homofóbico no DF


Ataque homotransfóbico

Segundo a investigação, no dia anterior ao ataque, em 6 de outubro de 2019, o grupo de amigos da vitima encontrou o grupo de agressores no mesmo lugar, em Brazlândia, "havendo um estranhamento entre eles por causa de uma briga entre dois cachorros que estavam com os suspeitos", informou a Polícia Civil.

No inquérito, consta que um dos amigos da vitima empurrou os cachorros, para que eles parassem de brigar. "Foi o suficiente para o estranhamento, que durou cerca de 40 minutos".

Desde o início das investigações, sete agressores foram identificados, sendo quatro menores de idade. Os demais tiveram a prisão preventiva decretada, e o primeiro deles foi detido um dia após o crime.

O segundo suspeito foi preso em novembro de 2020, no Piauí, e o último foragido foi localizado nesta sexta-feira (14), no Jardim Botânico. O nome dele não foi divulgado.

As três prisões foram realizadas pela 18ªDP. A investigação sobre os menores de idade ficou a cargo da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA II).


O jovem Felipe Milanez foi vítima de um ataque homofóbico no DF — Foto: Reprodução/TV Globo
O jovem Felipe Milanez foi vítima de um ataque homofóbico no DF


Relembre o caso

O crime ocorreu por volta das 2h de uma segunda-feira. Felipe afirma que saia de uma festa com dois amigos e estava abraçado com um deles quando começou a ser agredido verbalmente. Segundo ele, próximo à Rua do Lago, três suspeitos apareceram e começaram a xingá-lo.

Felipe diz que virou as costas para deixar o local, mas levou uma facada na cabeça. O jovem, então, reagiu com um soco no agressor. Foi quando um grupo de cerca de dez pessoas começou a atacá-lo.

Além da cabeça, o estudante levou facadas no ombro, peito, costas e joelho. Ele teve perfurações nos pulmões, rompeu o ligamento do joelho e passou a ter dificuldades para andar.

Durante as agressões, um amigo tentou ajudá-lo e também foi agredido. Já sangrando e sem forças, Felipe entrou em um carro estacionado, mas um dos agressores conseguiu invadir o veículo e continuou o ataque.

"Foi quando ele começou a cortar o meu cabelo com a faca mesmo, a me apunhalar e me dar vários chutes, socos", disse o jovem.

Segundo a vítima, durante todo o período das agressões, os xingamentos com cunho homofóbico continuaram. "Eles me tratavam no feminino. De todas as formas. De mulherzinha. Eu acredito que pelo fato de estar com um amigo e abraçado a ele."

Homofobia

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu permitir a criminalização da homotransfobia. Os ministros consideraram que atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados no crime de racismo.

Conforme a decisão da Corte:

"praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito" em razão da orientação sexual da pessoa poderá ser considerado crime;

a pena será de um a três anos, além de multa;

se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos, além de multa;

a aplicação da pena de racismo valerá até o Congresso Nacional aprovar uma lei sobre o tema.




Fonte: G1

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