Governo federal anuncia que Cinemateca terá gestão após quase dois anos de espera

Por Redação em 18/10/2021 às 14:20:21

Sem contrato de gestão desde 31 de dezembro de 2019, Secretaria Especial de Cultura publicou edital de chamamento só depois que um incêndio atingiu um galpão da instituição. Sede da Cinemateca Brasileira na Vila Mariana, Zona Sul da cidade de São Paulo

TV Globo/Reprodução

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (18) que fechou contrato com uma entidade para gestão da Cinemateca Brasileira, localizada na Vila Mariana, Zona Sul da cidade de São Paulo. A instituição responsável pela preservação da produção audiovisual do país estava sem administração desde 31 de dezembro de 2019.

O Diário Oficial da União informou que a Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo escolheu a Organização Social (OS) Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) para cuidar da gestão, operação e manutenção da Cinemateca.

Veja fotos e vídeos do incêndio

A SAC vai receber R$ 14 milhões por ano do governo federal para exercer as atividades, em um contrato de gestão de cinco anos de duração.

Imagens exclusivas mostram como ficou a Cinemateca após incêndio

A OS derrotou outras duas candidatas no chamamento público na análise dos critérios de convergência entre as finalidades da entidade e as atividades que serão demandadas, a capacidade técnica, e capacidade de geração e captação de receitas.

Questionado, o Ministério Público Federal disse que não foi comunicado oficialmente sobre a novidade, que é aparentemente boa, mas que não soluciona o problema, uma vez que ainda falta a divulgação de um plano para conservação da entidade. Um audiência será realizada na quarta-feira (20).

No período de quase dois anos sem entidade gestora, um incêndio atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital. O galpão armazenava parte do acervo de Glauber Rocha, equipamentos raros e documentos históricos que retratam a história do cinema brasileiro.

Galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, Zona Oeste de SP, afetado por alagamento após temporal em 2020

Reprodução/TV Globo

'Abandono proposital'

A Cinemateca Brasileira estava sem uma entidade gestora desde o dia 31 de dezembro de 2019, quando o contrato entre o governo federal e a Organização Social (OS) Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) terminou e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu não renovar.

Funcionários realizaram diversos protestos no ano passado, denunciando que a instituição passava pela maior crise desde a sua fundação, em 1946, sem recursos para o básico, incluindo atrasos em salários, contas de água e energia, fim do contrato com a brigada de incêndio e com a equipe de segurança.

Sem contrato de gestão durante o primeiro semestre de 2020, Cinemateca Brasileira foi cuidada por funcionários, que reivindicam salários e continuidade

Paulo Lopes/BW Press/Estadão Conteúdo

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP), por meio do procurador de Justiça Gustavo Torres Soares, protocolou uma ação contra o governo federal pelo abandono do equipamento e, desde julho de 2020 pedia à Justiça que determinasse a contratação pelo governo federal de uma nova entidade para gestão.

Neste ano, o MPF conseguiu, após perder na Justiça, recorrer da decisão e conseguir uma liminar, que a União realizasse ao menos a manutenção predial básica, como pagar as contas de luz, brigadistas e vigilantes.

Somente após um incêndio no galpão da Cinemateca é que o governo federal conseguiu resolver os entraves que persistiam e publicou o edital de chamamento público para a escolha de uma entidade privada sem fins lucrativos.

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