Bienal Sesc de Dança: Ocidente e Oriente se encontram em noite de celebração da dança contemporânea

Por Redação em 05/10/2021 às 23:04:41

Quarto dia do festival teve performance afro-brasileira e espetáculo com dança tradicional sul-coreana; veja programação desta quarta (6). Yebo Musical, espetáculo apresentado na noite desta quarta, na 12ª Bienal Sesc de Dança

Reprodução

O ocidente da diáspora africana e a milenar tradição oriental se encontraram em uma noite de celebração da dança contemporânea, nesta terça-feira (5), quarto dia da 12ª Bienal Sesc de Dança, ambientado exclusivamente nas plataformas virtuais.

A noite de espetáculos começou com o show ao vivo "Yebo Musical", de Rubens Oliveira (companhia Gumboot Dance Brasil), e terminou com a exibição de "Abismo", espetáculo da companhia sul-coreana 99 Art Company.

Veja a programação completa da Bienal Sesc de Dança de 2 a 10 de outubro

Assista aos espetáculos pelo @SescAoVivo, no Instagram, no youtube.com/sescsp e a página do sesc.digital

Yebo Musical

Um show de percussão com dança, uma performance de dança instrumental ou ainda um sapateado afro-brasileiro na roda. “Yebo Musical” é tudo isso.

“Os coletivos de dança e música negra têm dialogado no sentido de não catalogação da separação da dança e da música. Diasporicamente, isso tudo faz parte de um mesmo ritual, por isso celebramos com os nossos corpos em cena fazendo música”, disse o diretor e coreógrafo Rubens Oliveira, da Gumboot Dance Brasil, após o espetáculo.

Além de dirigir, o coreógrafo se revezou com Munique Costa sobre o pequeno palco rodeado dos músicos Maurício Oliveira (sax), Theodoro Nago (violão), Eduardo Marmo (percussão) e Tamiris Silveira (teclados).

Yebo Musical é como um sapateado afro-brasileiro de roda

Reprodução/Sesc

Há apenas um momento no qual juntaram as botas de borracha e as palmas em um contagiante diálogo corporal e sonora. E na parte final, Oliveira entrou em cena com os pés descalços, porém trajados num instrumento feito com latinhas de alumínio.

“Estamos muito felizes de poder compor um trabalho ancestral, diaspórico, que é ver o corpo com sua música e sua dança juntos. Essa é a pesquisa que eu carrego junto com a equipe, há 10 anos. Espero que vocês estejam de casa ouvindo com o coração e dançando o corpo”, afirmou Oliveira.

O show foi produzido para a Bienal de Dança, tendo acontecido ao vivo do Sesc Consolação, em São Paulo, numa junção com o projeto Instrumental Brasil.

“Nosso corpo é nosso grande instrumento de celebração e de resistência”, disse Rubens Oliveira, coreógrafo e diretor da companhia de dança Gumboot Dance Brasil.

Abismo, espetáculo de dança tradicional sul-coreana que fechou a quarta noite da Bienal Sesc de Dança

99 Art Company

Abismo

Enquanto na cultura brasileira há o resgate da ancestralidade negra com os batuques, a arte sul-coreana está marcada historicamente por guerras e forte influência do budismo. A 99 Art Company apresentou pela primeira vez ao Brasil o espetáculo “Abismo”, estrelado por bailarinas donas de sincronia precisa e movimentos delicados.

Para além do K-pop: espetáculo de dança tradicional na Bienal Sesc de Dança apresenta outro lado da cultura coreana

Apesar do tema triste, havia muita leveza nos corpos, figurino e luz muito bem executados e a beleza na música Howl (Uivo), do projeto Jónsi & Alex, que provocaram emoções ao espectador nem sempre descritíveis em palavras.

“Sentimentos vivos traduzidos em Arte! Libertador!”, escreveu Paula Teixeira. “Conforme ela se movimenta parece que está falando”, disse Thalia Lopes. “Que poesia”, falou Cristiane Urbinatti. “A Dança ocupa espaço abissais da alma dos indivíduos e se traduzem emoções e movimentos”, comentou Roberto De Lucia.

Visto que a proposta do grupo era trazer ao palco a emoção do han, descrita como “ressentimento ou tristeza profundamente arraigados no mar da alma”, talvez faça sentido poético.

Os espetáculos da mostra ficarão disponíveis nos canais do Sesc São Paulo, realizador da Bienal de Dança com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Toda a programação é gratuita e on-line.

Programação desta quarta (6)

19h (ao vivo): Imalè? Inú Ìyágba - Adnã Ionara (Campinas)

A artista da dança se guia pelas mãos da escritora mineira Conceição Evaristo, a começar pelo conceito de “escrevivência”, a escrita nascida do cotidiano, das lembranças, da trajetória de vida da própria autora tensionada por uma experiência coletiva. Despontando jornadas escurecidas, Adnã Ionara narra uma dança que fortalece e dá movimento à raiz que ela carrega.

Na base da construção do espetáculo estão a bibliografia e as simbologias ligadas ao matriarcado mítico yorubano. O título de mesma origem abrange diferentes traduções e interpretações. Imalè? ecoa o sagrado: símbolo e local de perpetuação da ancestralidade. Inú, o interior, o íntimo ou as próprias vísceras, como o útero e o estômago. Já Ìyágbà significa mulher ancestral, matriarca.

21h: Delirar a Racial - Davi Pontes e Wallace Ferreira (Rio de Janeiro)

Em edição audiovisual exclusiva para esta Bienal de Dança, a performance de Davi Pontes e Wallace Ferreira anula as convenções de duração e extensão. A obra experimental se propõe a elaborar a diferença sem a chamada separabilidade.

A ideia é dar corpo ao pensamento da artista visual e filósofa fluminense Denise Ferreira da Silva ao imaginar um filme “sem o fantasma da linearidade”. Para tanto, ambos recorrem a procedimentos utilizados desde o início da parceria em dança, em 2018: “Uma série de ações que lidam com a incerteza, a desordem e o provisório para pensarmos uma ética fora do tempo para vidas negras”.

12ª Bienal Sesc de Dança

Quando: 2 a 10 de outubro

Onde: @SescAoVivo (Instagram), youtube.com/sescsp e sesc.digital

Gratuito

Mais informações: www.bienaldedanca.sescsp.org.br

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