ONU deve decidir amanhã se exigirá vacinação para Assembleia-Geral, o que poderia barrar Bolsonaro

Por Redação em 15/09/2021 às 19:04:11

Tradicionalmente, presidente brasileiro é o primeiro a discursar entre os l√≠deres de Estado no mais importante evento multilateral do ano. Bolsonaro, no entanto, afirma n√£o estar vacinado, o que pode ser impeditivo Bolsonaro na grava√ß√£o de seu discurso à Assembleia Geral da ONU em setembro de 2020; fato de presidente n√£o ter se vacinado contra Covid-19 pode impedir sua participa√ß√£o presencial no evento deste ano

Presid√™ncia da Rep√ļblica

Os Estados-membros da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU) devem deliberar nesta quinta-feira (16) se exigir√£o que todos os presentes à Assembleia-Geral do órg√£o, na próxima semana, apresentem comprovantes de vacina√ß√£o contra a Covid-19 para serem admitidos ao prédio da ONU, em Nova York.

Caso decidam pela obrigatoriedade da imuniza√ß√£o, isso poderia barrar a participa√ß√£o do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que oficialmente n√£o est√° vacinado. Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro faz o primeiro discurso entre os l√≠deres no evento, marcado para o próximo dia 21.

Há dois dias, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a repetir que não havia tomado imunizantes contra a doença, que já matou 580 mil brasileiros. Ele citou um suposto resultado do exame IGG, que mede a quantidade de anticorpos para uma dada doença no corpo, como justificativa para não ter se vacinado.

"Eu não tomei vacina, estou com 991 (nível do IGG). Eu acho que eu peguei de novo (o vírus) e nem fiquei sabendo", afirmou Bolsonaro.

Inicialmente, a Assembleia-Geral da ONU cogitou aceitar que autoridades de alto n√≠vel apenas declarassem na entrada n√£o estar com sintomas nem ter estado em contato próximo com pessoas infectadas para que fossem admitidas no evento.

Porém, a cidade de Nova York, que abriga a sede da ONU, pediu que a organiza√ß√£o seguisse as mesmas regras vigentes para os habitantes da cidade: todos os maiores de 12 anos precisam apresentar comprova√ß√£o de vacina para frequentar locais p√ļblicos fechados, como centros de conven√ß√£o, restaurantes ou hotéis.

Na terça-feira (14), os Estados-membros receberam uma carta assinada por Abdulla Shahid, político das Maldivas que assumiu a presidência da Assembleia-Geral, na qual ele afirma apoiar que todos sejam obrigados a comprovar que tomaram imunizantes para participar do evento.

Nesta quarta, o porta-voz da Secretaria-Geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que "trabalharemos com o gabinete do Presidente (Abdulla Shahid) e os Estados-Membros sobre como implementar as decis√Ķes tomadas pelos Estados-Membros no que diz respeito (à vacina√ß√£o) dos delegados".

"Da parte da Secretaria-Geral da ONU, todos os funcion√°rios que atendem ao p√ļblico devem ser vacinados. A quest√£o é que se trata de uma organiza√ß√£o dirigida por Estados-Membros. O Secret√°rio-Geral (António Guterres) n√£o tem autoridade para for√ßar os delegados dos pa√≠ses de uma forma ou de outra".

No Itamaraty existe ceticismo sobre a possibilidade de que os pa√≠ses tornem obrigatório que os chefes de Estado apresentem certificados de vacina para participar da Assembleia-Geral.

Hospedagem em d√ļvida

Além da participa√ß√£o no evento em si, h√° outras d√ļvidas. O hotel onde tanto Bolsonaro quanto parte da comitiva brasileira ficar√£o hospedados, por exemplo, informa em sua p√°gina na internet que segue a determina√ß√£o da cidade de Nova York de exigir certificado vacinal para qualquer hóspede acima de 12 anos.

A p√°gina também informa onde o hóspede pode obter uma dose de gra√ßa e qual tipo de passaporte de vacina é aceito pelo estabelecimento.

A BBC News Brasil consultou a Presid√™ncia da Rep√ļblica sobre se o presidente segue sem ter sido vacinado contra Covid-19 e se houve alguma negocia√ß√£o de exce√ß√£o para a regra do certificado no hotel em Nova York, mas n√£o recebeu resposta até a publica√ß√£o desta reportagem.

Durante o ver√£o do hemisfério Norte, Nova York voltou a experimentar um aumento do n√ļmero de casos de Covid-19 na cidade, resultado da grande circula√ß√£o da variante delta. Atualmente com 60% da popula√ß√£o completamente vacinada e média móvel de cerca de 1600 novos casos por dia, a cidade luta para controlar a epidemia e impedir que um novo surto force o fechamento de escolas e comércio novamente.

Por isso mesmo, a cidade está oferecendo vacinação gratuita a todo e qualquer estrangeiro que vá participar da Assembleia-Geral da ONU.

Em meados de agosto, o governo dos Estados Unidos, que vem tentando fortalecer os órg√£os de rela√ß√Ķes multilaterais e demonstrar protagonismo nesses espa√ßos, expressou preocupa√ß√£o com os impactos sanit√°rios da realiza√ß√£o do evento em Nova York.

"Precisamos de sua ajuda para evitar que a Semana de Alto N√≠vel da Assembleia Geral da ONU seja um evento super-disseminador (do novo coronav√≠rus)", escreveu a embaixadora dos Estados Unidos nas Na√ß√Ķes Unidas, Linda Thomas-Greenfield, em uma carta a seus 193 colegas. Ela prosseguiu:

"Os chefes de delega√ß√£o devem considerar a entrega de suas declara√ß√Ķes ao Debate Geral da Assembleia Geral da ONU por v√≠deo. Se as delega√ß√Ķes optarem por viajar para Nova York, solicitamos que venham com o n√ļmero m√≠nimo de viajantes necess√°rio", disse ela.

Os l√≠deres da China, Xi Jinping, e da R√ļssia, Vladimir Putin, far√£o participa√ß√£o remota. J√° o presidente Bolsonaro deve chegar a Nova York no próximo domingo, dia 19.

Fonte: G1

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