Verba federal pode ter abastecido sites bolsonaristas, aponta investigação da Polícia Federal

Por Redação em 09/06/2021 às 21:31:59

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retirou nesta quarta-feira o sigilo de novos documentos do inquérito da PF que apura os respons√°veis por atos antidemocr√°ticos. Ministro do STF Alexandre de Moraes retira sigilo de novos documentos do inquérito sobre atos antidemocr√°ticos

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes retirou nesta quarta-feira (9) o sigilo de novos documentos do inquérito sobre atos antidemocr√°ticos.

A investiga√ß√£o indica que verbas do governo federal podem ter abastecido sites bolsonaristas respons√°veis por desinforma√ß√£o, propaga√ß√£o de discurso de ódio e mensagens contra a estabilidade democr√°tica.

A Polícia Federal afirma que é preciso aprofundar as investiga√ß√Ķes sobre o direcionamento de recursos da Secretaria de Comunica√ß√£o Social do governo federal para financiar essas p√°ginas.

O avan√ßo das investiga√ß√Ķes, segundo a PF, permitiria avaliar se h√° conex√£o de autoridades com a atua√ß√£o desses sites para atuar contra a democracia.

Os investigadores querem apurar se o governo criou filtros ou bloqueios que evitassem que a propaganda do governo fosse veiculada e monetizasse canais que difundem ideias contr√°rias ao estado democr√°tico de direito, permitindo com tal pr√°tica que ocorresse o repasse de recursos públicos.

A Polícia Federal queria saber se o repasse se deu por culpa ou por dolo, com a a√ß√£o ou omiss√£o deliberada de permitir a divulga√ß√£o da publicidade do governo e a consequente monetiza√ß√£o ao conteúdo propagado.

A PF chegou a apontar a suspeita de vínculo entre o blogueiro Allan dos Santos, um dos alvos do inquérito, e o ex-secret√°rio de Comunica√ß√£o da Presidência F√°bio Weingarten, com os fatos investigados sobre direcionamento de recursos públicos e a monetiza√ß√£o — o pagamento das p√°ginas bolsonaristas para a divulga√ß√£o de ideias antidemocr√°ticas.

A investiga√ß√£o foi aberta em abril do ano passado depois de ataques ao Supremo, ao Congresso e a favor da reedi√ß√£o do AI-5, o ato mais duro da ditadura militar. Em um dos protestos, o presidente Bolsonaro chegou a discursar em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília. Mas ele n√£o foi investigado.

Cinco meses depois de ter recebido o material, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento do inquérito para os investigados com foro privilegiado, sem que tivessem sido realizadas diligências pela procuradoria.

A PGR afirmou à TV Globo que recebeu o inquérito em fevereiro. Mas um documento mostra que o relatório parcial foi recebido pela procuradoria no mês anterior, dia 5 de janeiro.

Investigadores ouvidos pela TV Globo classificaram o pedido de arquivamento como prematuro porque ainda existem fatos a serem apurados, que podem atingir autoridades com foro.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo, j√° determinou que a PGR preste esclarecimentos.

Ele n√£o estipulou prazo, mas disse à TV Globo que espera a resposta no m√°ximo até o início da semana que vem.

F√°bio Wajngarten afirmou que n√£o houve verba direcionada para nenhum site ou blog. A TV Globo n√£o conseguiu contato com Allan dos Santos.

Fonte: G1

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