'Máfia dos concursos': soldado do Corpo de Bombeiros do DF é preso suspeito de pagar R$ 40 mil pela aprovação

Por Redação em 01/05/2021 às 19:59:50

Prisão faz parte da 6ª fase da operação Panoptes, que condenou nove por fraudes. Em nota, corporação afirmou que 'não coaduna e nem aceita qualquer tipo de fraude em seus processos de ingresso'. Carro do Corpo de Bombeiros, em imagem de arquivo

TV Globo/Reprodução

Um soldado do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal foi preso temporariamente, neste sábado (1º), durante uma operação da Polícia Civil que investiga fraudes em concursos públicos. O militar – que não teve a identidade divulgada – é suspeito de pagar R$ 40 mil para ser aprovado na corporação.

A prisão ocorreu em Taguatinga e faz parte da 6ª fase da operação Panoptes, que contou com o apoio da Corregedoria do Corpo de Bombeiros. Em nota, a corporação militar informou que "está aguardando o andamento da investigação para adotar as medidas administrativas cabíveis ao caso".

"Ressaltamos que a corporação não coaduna e nem aceita qualquer tipo de fraude em seus processos de ingresso e, até o presente momento, não possui informação sobre outros casos de fraude envolvendo ingresso de militares em suas fileiras."

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O mandado de prisão foi expedido pela Vara Cível de Águas Claras e vale por cinco dias. Em 2018, os nove principais integrantes da máfia foram condenados pelos crimes de organização criminosa, fraude em concurso e uso de documento falso (veja mais abaixo).

O chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Adriano Valente, contou que, inicialmente, o candidato contratou a máfia dos concursos para entrar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2015, mas não foi aprovado. Então, o cliente foi direcionado para outra seleção, a dos bombeiros, em 2017.

A ficha de inscrição do candidato foi encontrada com membros da organização criminosa, segundo a polícia. "A quantia de R$ 40 mil que o soldado admitiu ter negociado com a organização criminosa é o mesmo valor pago por diversos outros fraudadores já indiciados em outros inquéritos policiais da Draco por fraudes em concursos públicos", disse o delegado.

Resposta por ponto eletrônico

De acordo com a polícia, a máfia dos concursos agia de quatro maneiras:

candidato usava ponto eletrônico para receber respostas de criminosos que faziam a prova e saíam antes do local com o gabarito;

funcionários de bancas organizadoras preenchiam as folhas de resposta do "cliente" segundo o gabarito oficial;

criminosos usavam documentos falsos para fazer a prova no lugar de inscritos.

E, por fim, candidatos usavam um celular escondido no banheiro para receber as respostas. Segundo a investigação, foi assim que o bombeiro preso neste sábado (1º) teria conseguido fraudar o concurso.

Máfia dos concursos

A suspeita de fraude começou no dia do concurso, quando o Corpo de Bombeiros e a polícia localizaram os celulares nos locais das provas.

Desde 2017 a polícia indiciou dezenas de suspeitos de burlar concursos do STJ, das secretaria de Educação e Saúde, do Ministério Público da União e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

De acordo com o Ministério Público, que ofereceu a denúncia, o grupo também vendeu aprovações na corporação dos Bombeiros e na Terracap, fraudou vestibulares de medicina e falsificou diplomas e certificados de pós-graduação.

Condenações

Em 2018, a Justiça condenou os nove principais integrantes da máfia. Hélio Ortiz, apontado como chefe do grupo, e o filho dele, Bruno Garcia Ortiz, foram condenados a nove anos de prisão cada um.

Em nota, a defesa dos condenados disse ao G1 que Hélio e Bruno cumprem pena em regime aberto e que a defesa "repudia veementemente as acusações e irá apresentar os recursos necessários e possíveis".

Mesmo após a prisão dos condenados, a polícia continua investigando as fraudes. Os alvos são servidores que entraram em órgãos públicos com a fraude e deixaram milhares de concurseiros, que estudaram, de fora. A polícia espera prender e afastar essas pessoas dos cargos.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Fonte: G1/DF

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