Covid-19: paciente em estado grave não recebe sedativos e analgésicos por falta de estoque em hospital do DF

Por Redação em 10/04/2021 às 14:44:14

Segundo família de Leison Wander, de 45 anos, não há nem dipirona para amenizar febre no Hospital de Campanha de Santa Maria. Unidade de saúde afirma que há 'dificuldade para providenciar as medicações necessárias' devido à grande demanda. Leison Wander, de 45 anos, está internado no Hospital de Campanha de Santa Maria,

TV Globo/Reprodução

Um homem de 45 anos, internado em estado grave com Covid-19 no Hospital de Campanha de Santa Maria, no Distrito Federal, não está recebendo sedativos e nem analgésicos na unidade. Segundo a família de Leison Wander, a unidade não tem medicamentos para amenizar sintomas.

A enfermeira Virgínia Angélica, sobrinha de Leison, diz que, nesta sexta-feira (9), viu o tio entubado, sem sedação e sem analgesia, "com os braços amarrados ao leito", por conta da falta de medicamentos. "Ele estava com quase 40°C de febre quando eu estive no local. E o hospital não tem sequer dipirona para os pacientes que estão ali internados", afirma.

Contrariando regras, hospital particular do DF vacina adolescentes estagiários contra Covid-19

VÍDEO: corpo de vítima da Covid-19 é embalado em saco plástico e deixado ao lado de pacientes em UTI no DF

Em nota, a empresa Associação Saúde em Movimento (ASM), que administra o Hospital de Campanha de Santa Maria, informou que todos os hospitais estão tendo uma "dificuldade para providenciar as medicações necessárias para intubação, principalmente as drogas para sedação, analgesia e bloqueadores musculares, devido à grande demanda que o mercado está tendo pela alta quantidade de pedidos para utilização".

Paciente de Covid-19, em estado grave, não recebe sedativo e analgésico em hospital no DF

Sobre a contenção do paciente na maca, a empresa afirmou que "em momento algum o paciente foi amarrado, pois o hospital tem a assistência e o atendimento totalmente diferentes a esse tipo de conduta".

A família do paciente divulgou o caso para chamar a atenção das autoridades para a situação. "São pacientes, mas também são pais, são filhos, parentes, entes queridos de alguém. A gente pede para que alguém faça algo, para que esses pacientes não fiquem padecendo em um leito de UTI, como na situação em que hoje eu pude presenciar o meu tio", diz Virgínia.

De acordo com a esposa do Leison, Meiriel Marques, familiares de outros pacientes também internados na UTI do hospital disseram que não estão recebendo informações sobre os internados. "Se está faltando medicamento, sequer foi avisado às famílias, para a gente ter direito de saber o que está acontecendo com o familiar", afirma.

Covid-19 no DF

De acordo com a Secretaria de Saúde, até sexta-feira (9), o total de óbitos por Covid-19 na capital chegava a 6.676, e os infectados somavam 356.558.

Na manhã deste sábado (10), a rede pública de saúde do Distrito Federal estava com 94,19% dos leitos de UTI ocupados e 368 pacientes aguardavam na lista de espera. Desses, 265 eram tinham diagnóstico ou suspeita de Covid-19.

No dia 9 de março, o governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou estado de calamidade pública na saúde do DF. A medida vale "enquanto perdurarem os efeitos da pandemia do novo coronavírus".

Também no mês de março, o GDF iniciou a construção de três novos hospitais de campanha na capital. A expectativa é que as obras estejam concluídas até o dia 14 de abril. As unidades estão sendo erguidas nos seguintes locais:

Autódromo Nelson Piquet, no Plano Piloto

Complexo Esportivo do Gama

Escola Parque Anísio Teixeira, em Ceilândia

Na terça-feira (6), o Ministério Público do Distrito Federal realizou uma vistoria nas obras dos hospitais de campanha e concluiu que o andamento das construções está de acordo com a data estipulada. Cada um dos novos hospitais terá 100 leitos de UTI para pacientes com Covid-19, somando mais 300 leitos na capital.

O que diz o hospital

Confira a íntegra da nota da Associação Saúde em Movimento:

"A Associação Saúde em Movimento (ASM), que administra o Hospital de Campanha de Santa Maria, vem por meio desta nota esclarecer o fato registrado pela família do paciente Leison Wander de Almeida. O paciente deu entrada no hospital no dia 31 de março com quadro grave de COVID-19, recebendo todo tratamento especializado a partir de sua necessidade.

Em momento algum o paciente foi amarrado, pois o hospital tem a assistência e o atendimento totalmente diferentes a esse tipo de conduta.

Em relação a questão dos insumos, todos os hospitais estão tendo uma dificuldade para providenciar as medicações necessárias de entubação, principalmente as drogas para sedação, analgesia e bloqueadores muscular, devido a grande demanda que o mercado está tendo pela alta quantidade de pedidos para utilização. Contudo, todos os hospitais da ASM estão se desdobrando para manter o fornecimento dessas medicações para todos os seus pacientes, bem como a equipe médica em conjunto com a farmácia tem se desdobrado para que não haja a falta de nenhum insumo a ser utilizado na UTI, fazendo diariamente um plano específico de sedação e analgesia para atende-los, além de compartilhar as informações com seus respectivos hospitais para um ir suprindo o outro.

A associação reitera que todas as informações sobre o quadro dos pacientes de COVID-19 instalados na UTI do HSM são disponibilizadas diariamente via ligação para os familiares, que contam ainda com acompanhamento psicológico necessário nesse momento tão difícil."

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Fonte: G1/DF

Comunicar erro

Comentários

Agro Noticia 728x90