Alvo de operação por suspeita de tentativa de golpe, major da reserva é afastado de empresa pública de SP

Por Redação em 13/02/2024 às 05:49:04

Foto: Reprodução internet

Militar sofreu busca e apreensão e é investigado por produzir e divulgar fake news sobre urnas. Controlador-Geral do Estado participou de reunião com Bolsonaro e ex-ministros, mas foi mantido no cargo e nega ilegalidade. A gestão do governador Tarc√≠sio de Freitas (Republicanos-SP) afastou o major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli das funções que ocupava na Prodesp, empresa p√ļblica de TI do estado de São Paulo, após o militar ter sido alvo de busca e apreensão na Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Pol√≠cia Federal na √ļltima quinta-feira.

Denicoli é investigado no inquérito que apontou tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democr√°tico de Direito no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No relatório que sustentou a operação, a Pol√≠cia Federal afirmou que o major da reserva faria parte de um n√ļcleo de "desinformação" do esquema. Segundo a PF, Denicoli atuou na produção, divulgação e amplificação de not√≠cias falsas sobre o processo eleitoral.

A Pol√≠cia Federal aponta sua interlocução com o Fernando Cerimedo, respons√°vel por uma live com ataques às urnas.

O major do Exército era assessor especial na Prodesp e precisou entregar seu passaporte por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, o militar também foi diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do Sistema √önico de Sa√ļde (SUS) do Ministério da Sa√ļde.

Em nota, a Prodesp apenas confirmou o afastamento do funcion√°rio e não deu detalhes do per√≠odo em que ele ficar√° fora das funções nem se continuar√° recebendo sal√°rio R$ 32 mil, como aponta o Portal da Transpar√™ncia do estado de São Paulo.

A GloboNews tentou contato com Denicoli, mas até esta publicação ele não havia sido encontrado.

Governo de SP mantém Controlador-Geral que questionou gravação

J√° o ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU) e atual Controlador Geral do estado de São Paulo Wagner Ros√°rio foi mantido no cargo pelo governador Tarc√≠sio de Freitas apesar de ter participado de uma reunião citada pela PF como um dos cap√≠tulos sobre a suspeita de participação de militares e ex-ministros na tentativa de golpe de Estado.

A reunião do dia 5 de julho de 2022 foi gravada. O v√≠deo é uma das peças que embasaram a operação da PF. No encontro, Ros√°rio sinalizou preocupação de o encontro estar sendo gravado. Ele chegou a interromper a própria fala para questionar se estava sendo gravado.

"Essa junção de Pol√≠cia federal, Forças Armadas e CGU tem que fazer urgente, urgente. As outras equipes, a gente chegar a um consenso assim... tem qu. ser, porque j√° não temos garantia disso. E a√≠ j√° não são as Forças Armadas falando, são tr√™s instituições. A gente tem que se preparar para atuar como força-tarefa nesse negócio", diz Ros√°rio.

Na sequ√™ncia, ele pergunta sobre a gravação. O ex-presidente Bolsonaro e Braga Netto, ex-ministro-chefe da Casa Civil, fazem sinal de negativo com o dedo.

Ros√°rio: "A reunião est√° sendo gravada?"

Braga Netto: "Não"

O ex-ministro da Casa Civil olha para Bolsonaro e faz o sinal de negativo com a mão. Bolsonaro repete o mesmo sinal. "Eu mandei gravar a minha fala", disse Bolsonaro.

O discurso do ex-presidente ocorreu no in√≠cio da reunião, antes de o microfone ser passado aos demais presentes. Ao "confirmar" que a reunião não era gravada, Wagner Ros√°rio continua sua fala sobre a segurança das urnas eletrônicas. "O TCU j√° soltou um relatório dizendo que as urnas são seguras. O relator foi o Bruno Dantas (ministro do Tribunal de Contas da União)", falou Ros√°rio.

Bolsonaro toma a palavra e pede aos presentes da reunião que articulassem para que órgãos como a Pol√≠cia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), e até entidades externas como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), fizessem uma nota afirmando que seria "imposs√≠vel" atingir as condições necess√°rias para garantir a lisura das eleições de 2022.

Apesar da investigação da Pol√≠cia Federal e trechos da reunião terem sido usados na representação que resultou na operação, o governador Tarc√≠sio de Freitas manteve Wagner Ros√°rio no cargo de Controlador-Geral do Estado. Oficialmente, o governo de São Paulo não comentou a investigação.

Em nota enviada à GloboNews, Wagner Ros√°rio disse que tudo o que foi dito durante a reunião quando ocupava o cargo de CGU "teve como objetivo a garantia de que as eleições transcorressem com normalidade, e que houvesse fiscalização que garantisse plena segurança, transpar√™ncia e confiabilidade para o processo eleitoral". Ele complementa ao dizer que "qualquer outra leitura acerca do que foi dito trata-se de mera ilação".

Fonte: G1

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