Expedição chega ao fim reafirmando potencialidades da Bioceânica, mobilização dos países e mostrando gargalos

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Por Redação em 02/12/2023 às 01:30:42

Comitiva saiu de Campo Grande no dia 24 de novembro e vai percorrer até a volta mais de 5 mil quilômetros. Expedição da RILA reúne empresários, autoridades e representantes de pesquisa

Anderson Viegas/g1 MS

Assunção (Paraguai): A terceira expedição da Rota de Integração Latino-Americana (RILA) deve terminar oficialmente neste sábado (2), quando a maior parte dos integrantes retorna a Campo Grande, após percorrerem mais de 5 mil quilômetros pelos territórios do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, fazendo um verdadeiro "test drive"das condições atuais do corredor bioce├ónico.

Expedição da RILA testa a logística da Bioce├ónica, como neste trecho na Cordilheira dos Andes, na Argentina

Anderson Viegas/g1 MS

Nestes oito dias percorrendo os quatro países, os integrantes da expedição puderam reafirmar a potencialidade do corredor para promover uma transformação econômica e trazer desenvolvimento sustentável às regiões por onde passará, revelaram uma maior mobilização e empenho destas nações para efetivá-lo, mas também reiteraram alguns dos gargalos que precisam ser superados neste processo.

Saída monumento da rota em campo grande

Anderson Viegas/ g1 MS

A expedição reafirmou a viabilidade da megaestrada ligando o Brasil aos portos chilenos, mas apontou a necessidade da conclusão da pavimentação do último trecho da rota no Paraguai, cerca de 220 quilômetros, entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina – obra, inclusive, já licitada pelo governo paraguaio, e também de 25 quilômetros em Misión La Paz, na Argentina, logo após a aduana.

Uma das caminhonetes que atolou durante a passagem pelo Chaco Paraguaio na expedição da RILA

Anderson Viegas/g1 MS

Sem a pavimentação, esse trecho paraguaio fica exposto às variações climáticas, como o excesso de chuva três dias antes da passagem da expedição que formou atoleiros na estrada – como os enfrentados pelos rileiros e que impediu a passagem do que seria a primeira exportação pelo corredor, um caminhão com carne "Made in MS".

O despacho da primeira carga pelo corredor deve ocorrer entre fevereiro e março de 2024, segundo previsão do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog/MS) e do governo do estado.

Ponte da Bioce├ónica está com obras aceleradas

Anderson Viegas/g1 MS

Outro entrave logístico atual avança para ser resolvido até 2025. A Ponte da Bioce├ónica vai viabilizar a passagem de todos os tipos de veículo, de passeio até os de carga, pelo rio Paraguai, entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai. Atualmente, essa travessia é feita somente por balsa.

Paso Jama, na fronteira da Argentina com o Chile

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Além das questões logísticas, que caminham para serem solucionadas, outro ponto reiterado pela expedição e que requer atenção dos quatro países é a necessidade de uma maior integração e simplificação de processos nas áreas de fronteira para o tr├ónsito de pessoas e cargas. Em alguns dos postos, como no Paso Jama, entre a Argentina e o Chile, o tempo de espera dos integrantes da expedição para cumprir os tramites burocráticos passou de uma hora.

Apresentação cultural na abertura oficial do 4┬║ Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioce├ónico Capricórnio

Anderson Viegas/g1 MS

Em contrapartida, as belezas naturais, locais históricos e diversidade cultural do traçado da rota reiteraram sua vocação natural para o turismo. Paisagens como as de Porto Murtinho, do Chaco paraguaio, das cidades argentinas, da Cordilheira dos Andes, dos desertos de sal, do deserto do Atacama e dos municípios costeiros chilenos, como Iquique, encantaram os "rileiros"durante a passagem da expedição.

Colina das Sete Cores, na Cordilheira dos Andes, em Jujuy, na Argentina

Anderson Viegas/g1 MS

Outro avanço foi na integração entre os países para desenvolver o projeto da rota. Após o 4┬║ Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioce├ónico Capricórnio, encerrado na quarta-feira (29), em Iquique, os representantes do estado de Mato Grosso do Sul (Brasil), dos departamentos de Alto Paraguai e Boqueirão (Paraguai), províncias de Jujuy e Salta (Argentina) e regiões de Tarapacá e Antofagasta (Chile) ratificaram o compromisso de fortalecer o Corredor Bioce├ónico, o destacando com uma grande oportunidade para promover o desenvolvimento sustentável e melhorar a integração entre os estados e países participantes e, ainda, melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.

Apresentação de danças e músicas típicas da região marcou a abertura do fórum no Chile

Anderson Viegas/g1 MS

Definiram ainda a realização de reuniões semestrais sobre a evolução do projeto e acompanhamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a iniciativa.

Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP)

Fernando da Mata/TV Morena

Durante o Fórum, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), que também participou dos trabalhos, foi eleita por unanimidade e empossada como presidente do Comitê Gestor dos Municípios que compõem a Rota Bioce├ónica, passando a representar todas as cidades que compõem o corredor.

Iquique, no Chile

Anderson Viegas/g1 MS

Na chegada a Iquique, o presidente do Setlog/MS, Claudio Cavol, já havia avaliado como muito positiva a expedição, reiterando a acolhida por todo o trecho da megaestrada aos integrantes da comitiva e pela participação da expedição no fórum.

Cláudio Cavol, Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS)

Fernando da Mata/TV Morena

Nesta sexta-feira (1┬║), o grupo saiu de San Salvador de Jujuy, na Argentina e percorreu 1.100 quilômetros até Assunção. Os integrantes saem da capital paraguaia neste sábado (2) de volta para Campo Grande.

Assunção, capital do Paraguai

Anderson Viegas/g1 MS

Fonte: G1

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