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"Apagão" da vigilância genética atrasa detecção de novas variantes do coronavírus no Brasil


Enquanto as novas cepas do coronavírus vêm preocupando o mundo todo, o Brasil se vê em uma preocupante encruzilhada. Segundo pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus, projeto apoiado pela FAPESP e originalmente destinado ao estudo de doenças como dengue e zika, está ocorrendo um "apagão" no que diz respeito à vigilância genômica da Covid-19 no território brasileiro. O trabalho é fundamental para identificar, por exemplo, se existem mutações mais transmissoras ou letais e se elas podem escapar da proteção das vacinas. Dos casos confirmados no país, apenas 0,024% foram sequenciados, enquanto no Reino Unido esse índice chega a 5%.

O virologista Fernando Spilki, que coordena uma rede de cientistas criada para liderar os esforços de vigilância genômica no país, admite que houve um atraso no último semestre. "Houve um momento que expôs muitos sequenciamentos, logo no início, esse sequenciamento era fomentado por verbas de outros projetos e houve um momento em que sequenciou menos ou em que haviam sido depositados menos sequências nos bancos internacionais. Nos últimos dois tem se intensificado esse esforço de sequenciamento", relatou. Entre as hipóteses apontadas para o atraso estão as dificuldades na importação dos reagentes usados no sequenciamento genômico, o custo elevado dos insumos e equipamentos e a falta de profissionais habilitados para esse tipo de trabalho fora da região Sudeste. Fernando Spilki garante que um grande esforço está sendo realizado no momento para recuperar o tempo perdido. "O problema que todos nós temos que lutar é pela continuidade do financiamento. Hoje,nós temos recursos e bolsas para trabalhar. Passada a pandemia, temos que continuar tendo esse fomento justamente para que estejamos preparados para um novo evento quando ele acontecer a gente não ter uma diminuição."

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*Com informações da repórter Letícia Santini

JP

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